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Conheça o HOSA em visita guiada



16 Jan 2015

Foi um sanatório marítimo, transformou-se num hospital de referência no campo da ortopedia. Partes da sua história são relatadas em visitas guiadas realizadas todos os meses.

 

Com 176 metros de fachada virada para o mar, o edifício do Hospital Ortopédico de Sant’Ana (HOSA) ergue-se, entre a Parede e Carcavelos, como um símbolo da luta contra a tuberculose óssea.

 

Doado em 1911 à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa por Claudina Chamiço, este hospital começou por ser um sanatório marítimo para tratar meninas pobres atingidas pela doença que, no início do século XX, foi um autêntico flagelo social. A mortalidade causada pela tuberculose rondava os 15 a 20 mil óbitos anuais. Mais de 90% dos infetados acabavam por morrer.

São partes desta história que se recordam, ao percorrer os corredores, as salas e a capela do edifício, durante uma visita guiada realizada esta quinta-feira, 15 de janeiro. Por iniciativa da Direção da Cultura, estas visitas guiadas realizam-se mensalmente (na terceira quinta-feira de cada mês) com o objetivo principal de "dar a conhecer o património histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa", como explica a guia Susy Ferreira.

 

Com ela, orientam a visita para um grupo de oito pessoas, a irmã Celina, da Congregação de Santa Catarina de Sena, presente há cem anos neste hospital, e Carlos Teixeira, responsável do centro de estudos e fotógrafo.

 

Logo à entrada, Susy Ferreira chama a atenção para a figura da Virgem da Misericórdia, com o seu manto, a acolher as meninas que sofriam de tuberculose óssea.

 

Percorrendo os compridos corredores revestidos a azulejos onde hoje funciona o Hospital de Sant’Ana reconhecido, sobretudo, pelo trabalho desenvolvido no campo da ortopedia e das suas sub-especialidades, encontra-se a capela, de estilo neo-bizantino, com as marcas de artistas de renome, como Costa Mata e António Ramalho que desenhou os vitrais, onde estão representadas os membros da família Chamiço que sentiu o flagelo da tuberculose. Nos frisos de gesso, representa-se também a música sacra.

 

Era nas galerias exteriores, frente às águas salgadas, que se colocavam as crianças, de forma a apanhar o ar marítimo, o sol, o iodo e o vento que afugentavam a tuberculose, conta Carlos Teixeira.

 

Susana Fonseca, de Lisboa, uma das visitantes, segue atentamente o relato. Já conhecia o hospital de nome e quis acompanhar esta visita, no seguimento de outras organizadas pela SCML. "Já não há mulheres assim", diz, manifestando a sua admiração pela benemérita Claudina Chamiço.

 

Outro dos locais emblemáticos do atual Hospital Ortopédico de Sant’Ana é o Jardim de Inverno, um espaço revestido de azulejos com motivos de plantas terapêuticas e portadas voltadas para o mar. Esta ampla sala que hoje acolhe sessões de trabalho clínico, conferências e ensaios do coro do hospital, era utilizada para as crianças brincarem quando estava mau tempo.

 

Maria de Fátima Coutinho, outra visitante, diz-se "impressionada" com a beleza daquele espaço e com a "riqueza histórica" do hospital.

 

O Hospital que outrora foi um sanatório, transformou-se numa referência nacional no campo da ortopedia e, nas mesmas salas onde um dia se tratou a tuberculose, dão-se agora consultas de diversas especialidades, entre as quais cirurgia plástica, dermatologia, oftalmologia ou otorrinolaringologia, fazem-se intervenções cirúrgicas e exames auxiliares de diagnóstico.

 

O HOSA guarda assim uma história e um valioso testemunho de evolução da arte médica em contínuo progresso.

 

Para o conhecer, basta marcar visita.

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