Share

imprimir

Santa Casa da Misericórdia de Lisboa vai promover cuidados paliativos infantis



06 Mar 2015

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) quer comprar o Hospital Militar da Estrela onde tenciona instalar uma unidade de cuidados paliativos infantis, anunciou esta quarta-feira, o Provedor Pedro Santana Lopes, durante um seminário sobre "Cuidados domiciliários e cuidados paliativos" que decorreu em Lisboa.

 

Neste encontro, apoiado pelo Governo Federal Belga e pelas Três Regiões belgas, participaram médicos, enfermeiros, professores universitários e outros especialistas na área dos cuidados continuados e paliativos.

 

Neste campo, é indispensável a articulação e o trabalho em rede entre as várias organizações que trabalham no terreno, defendeu o Provedor. "É um pecado não o fazer", disse, manifestando todo o "empenho da Santa Casa para apoiar esta rede".

 

Criticando o facto de a comunicação de realidades como a dos cuidados paliativos não passar frequentemente para os meios de decisão, Pedro Santana Lopes disse não ter "dúvidas de que estes temas não fazem parte da agenda diária de quem decide".

 

É "um dever da Misericórdia", uma "obrigação fazer o que está ao nosso alcance" neste âmbito, sublinhou, chamando a atenção para a necessidade de aprofundar a formação nesta área e destacando a importância do "saber comparado", como "uma das fontes essenciais do saber".

 

O papel da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa na prestação de cuidados paliativos domiciliários e, particularmente, na Unidade de Saúde Maria José Nogueira Pinto, no Juso, foi abordado pelo seu diretor, o médico Castro Ferreira. Referindo que o aumento da esperança média de vida justifica um maior interesse pelo tema dos cuidados paliativos e domiciliários, Castro Ferreira sublinhou que a Santa Casa dispõe de 10 unidades de saúde vocacionadas para a prestação desses cuidados.

 

Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), Portugal terá cerca de dois milhões de idosos em 2050.

 

Neste seminário intervieram ainda Alain de Wever, médico belga que falou no sistema de saúde existente naquele país, Paula Caetano, enfermeira e diretora de uma empresa que presta cuidados de saúde ao domicílio, Regina Carlos, coordenadora da Rede Nacional de Cuidados Continuados integrados e Manuel Luis Capelas, presidente da Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos.

 

Regina Carlos chamou a atenção para a quantidade de "casos sociais dentro da Rede" que enchem as unidades de saúde e referiu que existem "mais de 600 doentes que aguardam vaga em Lisboa e Vale do Tejo para Cuidados Continuados".

 

Citando os resultados de um estudo recente, Manuel Luis Capelas revelou que o tempo de espera para os cuidados continuados é de uma média de 40 dias e que a maioria dos doentes morre antes de ter acesso a esses cuidados.

 

Vinte milhões de pessoas em todo o mundo precisam atualmente de cuidados paliativos, alerta a Organização Mundial de Saúde (OMS) num relatório divulgado no ano passado. O facto de apenas uma em cada 10 dessas pessoas receber acompanhamento especializado no final da vida, levou aquela organização a apelar à maior integração dos cuidados paliativos nos serviços nacionais de saúde dos diferentes países.

 

A Unidade de Cuidados Continuados Maria José Nogueira Pinto, em Cascais, inaugurada em 2013 com o nome que homenageia a antiga provedora da Santa Casa, veio complementar a atual oferta da instituição na área da saúde, na área específica dos cuidados continuados.

Copyright © 2014 - Hospital de Sant’Ana | Desenvolvido por