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Um Fundo para unir as Misericórdias



30 Mar 2015

 

Um Fundo para unir as Misericórdias

 

A cooperação entre as Misericórdias vai permitir mais respostas sociais prioritárias em todo o país, nomeadamente ao nível das unidades de Cuidados Continuados.

 

As Misericórdias que precisem de apoio financeiro para avançarem com os seus projetos podem candidatar-se, a partir desta quinta-feira, dia 26 de março, ao Fundo Rainha D. Leonor da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML), através do site: http://www.fundorainhadonaleonor.com/.

 

Com um valor inicial de cinco milhões de euros, este Fundo foi criado na sequência de um acordo estabelecido, em maio do ano passado, entre a Misericórdia de Lisboa e a União das Misericórdias Portuguesas (UMP).

 

A abertura das candidaturas foi assinalada numa cerimónia realizada no Museu de São Roque que contou com a presença do Provedor Pedro Santana Lopes, do presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, da presidente da Assembleia Geral da União das Misericórdias Portuguesas, Maria de Belém, além de 11 provedores de outras santas casas e dos membros da Mesa da SCML.

 

Este acordo de cooperação entre as Misericórdias, inédito historicamente, vai possibilitar uma maior eficácia nas respostas sociais prioritárias em todo o país, nomeadamente ao nível das unidades de Cuidados Continuados.

 

A esse propósito, o Provedor Pedro Santana Lopes fez questão em frisar, na sua intervenção, referindo-se à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa: "Esta não é uma Misericórdia do Estado. Tem uma incumbência que é do Estado, mas a sua matriz é de ser uma Misericórdia, não uma Direção Geral ou uma Direção de Serviços."

 

Na perspetiva de Pedro Santana Lopes, "num país com a nossa dimensão, com os problemas que enfrenta, não podemos nem devemos viver de costas voltadas entre as diferentes instituições", sendo dever da SCML "procurar apoiar e levar a todo o território serviços sociais essenciais a toda a população".

 

Através do Fundo Rainha D. Leonor, as Misericórdias podem concorrer a apoios, por exemplo, para obras até 500 mil euros, sendo dada prioridade às instituições que não beneficiaram de fundos comunitários.

 

Cada Misericórdia pode concorrer a um projeto por triénio, sendo privilegiadas as áreas do envelhecimento, da deficiência, da saúde, do combate à pobreza e de apoio à natalidade.

 

O Provedor frisou ainda que a Misericórdia de Lisboa "devolve à sociedade a maior parte das verbas obtidas com os jogos sociais (78,2%), referindo que "neste momento de crise, a SCML estende o apoio a nível nacional, de forma mais direta, mais orientada para áreas prioritárias, em que é urgente suprir lacunas", disse, especificando que "a Saúde é seguramente uma delas."

 

Defendendo que "as instituições não se podem fechar" e "devem ter capacidade de ir mais além, de criar pontes e estabelecer parcerias", Pedro Santana Lopes sublinhou que "tem sido esse o caminho percorrido pela SCML" em projetos como a Mitra, o Intergerações ou a Unidade de Atendimento à Pessoa Sem Abrigo.

 

Com o Acordo Nossa Senhora do Manto, também previsto no Fundo Rainha D. Leonor, é criada uma base de dados entre a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa e as outras Misericórdias. Aí serão registados os lugares existentes nos lares, centros de dia e nas unidades para pessoas com dependência física e demências em todo o país, de forma a que os utentes da SCML possam ser integrados nas vagas existentes noutras Misericórdias.

 

A "preocupação e a sensibilidade" revelada pelo Provedor relativamente às Misericórdias foi destacada pelo presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, no seu discurso que saudou a iniciativa da criação do Fundo D. Leonor e do Acordo Nossa Senhora do Manto. "São no seu conjunto duas iniciativas inovadoras que prestarão certamente um serviço relevante a muitas pessoas e a muitas Misericórdias que por esse país fora dão quotidianamente prova que a nossa missão continua viva e atuante", disse.

 

Na cerimónia da abertura das candidaturas foram ainda assinados dois protocolos para o apoio aos deficientes profundos acolhidos em centros de Borba e Santo Estevão e às pessoas com demência, em Fátima.

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