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Conhecer o HOSA numa visita guiada



21 Ago 2015

Foi um sanatório marítimo, transformou-se num hospital de referência no campo da ortopedia. Partes da sua história são relatadas numa visita guiada realizada mensalmente.

Com 176 metros de fachada virada para o mar, o edifício do Hospital de Sant'Ana (HOSA) ergue-se, entre a Parede e Carcavelos, como um símbolo da luta contra a tuberculose óssea.

Doado em 1911 à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) por Claudina Chamiço, este hospital começou por ser um sanatório marítimo para tratar meninas pobres atingidas pela doença que, no início do século XX, foi um autêntico flagelo social. A mortalidade causada pela tuberculose rondava os 15 a 20 mil óbitos anuais. Mais de 90% dos infetados acabavam por morrer.

São partes desta história que se recordam, ao percorrer os corredores, as salas e a capela do edifício, durante uma visita guiada realizada esta quinta-feira, 20 de agosto. Por iniciativa da Direção da Cultura, estas visitas guiadas realizam-se mensalmente (na terceira quinta-feira de cada mês) com o objetivo de "dar a conhecer o património histórico da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa", como explica a guia Susy Ferreira.

A capela, de estilo neobizantino, "representa o coração do hospital, onde os doentes vêm pedir o apoio espiritual, a força e esperança para a sua cura", uma vez que se trata de um "local de alimentação espiritual", disse a Irmã Celina, da Congregação Dominicana de Santa Catarina, comunidade religiosa presente no hospital desde 1910.

Na referida capela, segundo Susy Ferreira "um espaço sagrado imortalizado por grandes artistas portugueses", puderam admirar os frisos de gesso de Costa Mata e variadíssimos vitrais de cariz ecuménico desenhados por António Ramalho, entre os quais se destaca um dedicado ao Espírito Santo.

Com uma construção muito característica, as galerias exteriores, depois percorridas e situadas mesmo em frente à água salgada, foram feitas para tirar partido do ar marítimo, do sol e do iodo, fatores essenciais para a recuperação dos doentes internados neste hospital.

"Era nesse local que meninas de classes mais desfavorecidas eram colocadas", contou Susy Ferreira.

António Lima de 64 anos, um dos visitantes, não imaginava que poder contemplar "tantos tesouros" neste hospital.

Outro dos locais emblemáticos visitados foi o Jardim de Inverno, um espaço revestido de azulejos com motivos de plantas terapêuticas e portadas voltadas para o mar. Esta ampla sala que hoje acolhe sessões de trabalho clínico, conferências e ensaios do coro do hospital, era utilizada para as crianças brincarem quando estava mau tempo.

A caminho destes jardins, uma outra visitante, Maria Emília Salavessa, de 46 anos, confessou-se "surpreendida, com a grandiosidade de tudo, particularmente a limpeza que é uma constante pelos locais por onde passámos" acrescentando, num tom sorridente, que "tudo está dito quando existe a colaboração de religiosas".
O hospital, outrora um sanatório, transformou-se numa referência nacional no campo da ortopedia e, nas mesmas salas onde um dia se tratou a tuberculose, dão-se agora consultas de diversas especialidades, entre as quais cirurgia plástica, dermatologia, oftalmologia ou otorrinolaringologia, fazem-se intervenções cirúrgicas e exames auxiliares de diagnóstico.

Os interessados em inscrever-se na próxima visita guiada ao Hospital de Sant'Ana, que decorre às 14h30 do dia 17 de setembro, deverão contactar o Serviço de Públicos e Desenvolvimento Cultural, ligando um dos seguintes números: 213 235 421/ 824/ 233/ 065.

Conheça as fotos em:
https://www.flickr.com/photos/misericordiadelisboa/sets/72157657629162766/

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