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Um Sant'O aniversário



26 Jul 2016

O Hospital de Sant´Ana comemora 112 anos esta terça-feira. São cento e doze velas e um mar de histórias tão vasto como o manto azul que espreita por entre as janelas do centenário hospital.

Os passos que levam a Irmã Celina pelos corredores do Hospital Sant´Ana são lentos e ponderados, mas a sua simpatia e cordialidade são rápidas e naturais. À medida que vai passando pelas pessoas cumprimenta-as, uma a uma, com um caloroso sorriso muitas vezes acompanhado por um beijo. Parece conhecer toda a gente, e provavelmente conhece. Mais do que um hospital esta é, desde o final da década de sessenta, a sua casa.

”Esta é a minha casa, é a minha missão. Vou ao encontro dos doentes, dos funcionários para falar com eles. Escutá-los é das melhores coisas do meu dia”, conta calmamente a Prioresa da comunidade das Irmãs de Santa Catarina de Sena.

O caminho da Irmã não a leva, hoje, até ao rebuliço que se ouve e sente na área das consultas externas. Esta é uma agitação perfeitamente normal num serviço que segundo os dados de 2015 atendeu 35 509 pessoas. Nos corredores, os doentes aguardam pacientemente enquanto vão lançando olhares esperançosos para as portas dos consultórios dos seus médicos. Amiúde as portas vão-se abrindo e por entre as suas ombreiras espreitam profissionais de bata branca que chamam pelos pacientes. Numa destas ocasiões, por breves minutos, aproveitamos uma abertura existente e entramos no gabinete 8. É neste espaço que Filipe Araújo, médico reumatologista, nos recebe e nos faz o diagnóstico da sua experiência de um ano em Sant´Ana.

“Sei que pode parecer um chavão mas eu gosto realmente do que faço”, comenta o médico de 32 anos.

Foram as doenças do foro sistémico, as mais complexas e mais raras, que levaram este profissional a escolher a especialidade de reumatologia. Também pesou na sua escolha o facto de esta ser uma área que proporciona a oportunidade de trabalhar diretamente com os doentes. “Gosto do contacto com as pessoas, de sentir que as estou de alguma forma a ajudar. E ajudar não significa necessariamente curar, mas com o tratamento podemos contribuir para aliviar os sintomas, e mais importante, melhorar a qualidade de vida dos doentes reumáticos.”

Também para o diretor de serviço, Roxo Neves, em Sant´Ana desde 1989, o bem-estar dos pacientes é a principal preocupação pela qual orienta o seu trabalho. “Como diretor de serviço devo, em primeiro lugar, defender o melhor tratamento para cada doente. Isto em paralelo com o exercício e o desenvolvimento das competências médicas e cirúrgicas de cada médico”.

O desenvolvimento dos profissionais de saúde de que Roxo Neves fala será exponenciado quando as obras de ampliação chegarem ao fim, em 2017. O “novo” Sant´Ana terá um bloco operatório com quatro salas, 60 camas de internamento, seis camas na unidade de cuidados intensivos e uma unidade de recobro com 32 postos. Terá ainda um serviço de urgência que permitirá servir, ainda melhor, os doentes da comunidade onde o hospital está inserido.

Uma grande família

Os doentes. Com todos os profissionais de saúde com quem falamos, perto de uma dezena num universo de 300 colaboradores, são sempre eles os primeiros a ser referidos. Isto acontece quando falamos com Isabel Assunção, auxiliar de ação médica há 17 anos e há 12 afeta ao bloco operatório.

“Os doentes vão com tanto medo, que muitas vezes vão calados. E nós sentimos essa apreensão. E por isso tento sempre tranquilizá-los e dar-lhes um sorriso. Sempre. No bloco, o lado humano é muito importante.”

Volta a acontecer quando falamos com Antonieta Ferreira, enfermeira chefe das consultas externas. Para esta profissional de saúde com quase 40 anos de trabalho na Santa Casa e 14 no hospital, o contacto com os doentes é a parte mais gratificante do seu trabalho. Sobre o seu cargo, faz a seguinte a reflexão: “Estou muito envolvida no cuidado direto com os doentes. Sou enfermeira chefe, mas primeiro sou enfermeira, só depois é que sou chefe.”

O “hospital dos ossos” – como é conhecido ainda para muita gente - não se esgota em consultas ou operações ortopédicas. Apesar de ter na ortopedia a sua especialidade mais reconhecida, esta unidade hospitalar oferece oito especialidades. Entre elas a urologia, a oftalmologia e também a fisioterapia.

Margarida Guiomar, fisioterapeuta, cresceu na Parede e não é por isso de estranhar que Sant´Ana tenha feito sempre parte do seu imaginário. Quando acabou o curso a jovem de 33 anos “sabia perfeitamente que era aqui que queria trabalhar”, diz.

A recompensa da sua dedicação fica bem ilustrada na história que nos fez questão de contar.

“Em 2009, recebemos um senhor, já na casa dos seus 60 anos. Foram-lhe amputadas as duas pernas devido a um aneurisma. Na altura o senhor escolheu fazer aqui a sua reabilitação. O maior desejo que ele tinha, era voltar a andar. Ao final de um ano e meio de terapia conseguimos devolver a alegria ao doente e ele saiu daqui com a coordenação necessária para voltar andar com o auxílio de próteses”, relembra, satisfeita.

“A minha maior motivação todos os dias é poder encontrar uma solução para o doente”, afirma Marta Leitão, diretora de produção.

Num trabalho de administração como o que tem - orientar e monitorizar as consultas externas e os internamentos- poder-se-á pensar nesta diretora como um membro mais isolado da comunidade de Sant´Ana. Não poderíamos estar mais longe da verdade.

“Tenho sempre a porta aberta para todos os meus colegas. Aqui prevalece uma cultura organizacional à semelhança de uma família”.

Curioso. Durante o seu passeio a Irmã Celina não se encontrou com Marta Leitão. No entanto, a Irmã contou-nos algo muito similar, o que parece reforçar a ideia de união entre os profissionais. “É com agrado que vejo pessoas a crescerem aqui. Já vi filhos de funcionários a casar. Alguns, conheço até à terceira geração. Nós somos uma grande família”.

E estão de parabéns. Cento e doze vezes.

notícia disponível em:
http://www.scml.pt/pt-PT/destaques/um_santo_aniversario/

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