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Manuela, a telefonista que sonhava ser bailarina



31 Jan 2014

Esta é a história de Manuela Gilberta Oliveira que sonhava ser bailarina, mas que uma doença neurológica “empurrou” implacavelmente para uma cadeira de rodas. A história de uma mulher que sonhou um grande amor que o tempo levou para longe. De uma sobrevivente, já submetida a mais de 50 operações e que encontrou no Hospital Ortopédico de Sant’Ana (HOSA) uma outra família. Hoje, com 65 anos, é lá que trabalha como telefonista e, apesar dos pesares, diz-se uma mulher “feliz e realizada”.

Aos 10 anos, já órfã de mãe, Manuela Gilberta Oliveira foi afetada por uma doença neurológica rara (mielite) e ficou paraplégica. Era a mais nova de sete irmãos com quem vivia então na Guiné.  O prognóstico era muito reservado e, por indicação médica, foi transferida para o antigo Hospital do Ultramar (hoje, Egas Moniz), onde acabou por ficar cinco anos. No início, o pai e a ama ainda a acompanharam, mas depois tiveram de voltar para a Guiné e Manuela Oliveira ficou internada, entregue aos médicos e aos enfermeiros. E os anos passaram e Manuela se fez mulher.

Permanentemente deitada, sem conseguir sentar-se, cada vez eram maiores as deformações e mais profundas as escaras. “Um dia, disse que não queria continuar deitada e pedi que me pusessem numa cadeira de rodas”, conta. Foi preciso submetê-la a algumas intervenções cirúrgicas e, mesmo assim, só a conseguiram sentar com as pernas dobradas. E assim regressou à Guiné.

 

Um amor para a vida

A viagem de 11 dias no navio “Alfredo da Silva”, na companhia de uma enfermeira, havia de marcá-la para a vida. Entre um grupo de militares destacados para a Guiné, encontrava-se o tenente José Manuel com quem viveu uma inesquecível história de amor. “Todos os dias daquela viagem me fez companhia. Foi espetacular”, recorda, sorridente.

O namoro começou tempos depois, na Guiné e prolongou-se durante a comissão de serviço do tenente, período em que se verificaram notáveis progressos no estado de saúde de Manuela. Chegou, no entanto, a hora de o militar voltar para Lisboa.

A relação não resistiu à distância e ao tempo, mas o amor haveria de acompanhar Manuela Oliveira ao longo da vida.   

Voltou para Portugal e a ser submetida a diversas intervenções cirúrgicas, desta vez no Hospital Ortopédico de Sant’Ana, na Parede, pertencente à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Ali, fez o antigo quinto ano do liceu, cresceu com os conselhos do médico Serra e Costa, e conviveu nos pavilhões onde cheirava aos bolos da irmã Camila. “Foi a minha segunda casa e a minha segunda família”, conta, comovida.

E, ali, aos 32 anos, arranjou o emprego de telefonista, lugar onde ainda hoje se mantém e onde se sente “feliz” e “realizada”. 

Esta é a história de Manuela que nunca foi bailarina mas que, durante seis anos, frequentou as sessões de terapia da dança em Alcoitão e “dançou” em cadeira de rodas. “Consegui dar a volta por cima do drama que foi a minha vida”, diz, sorridente.

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